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Artigos > Germânica > Fé e Religiosidade Entre os Vikings
Fé e Religiosidade Entre os Vikings
Publicado por Johnni_Langer em 05/2/2008 (2308 leituras)
Prof. Dr. Johnni Langer – Pós-Doutor em História Medieval pela USP
johnnilanger@yahoo.com.br


Os Vikings constituíram a cultura de guerreiros mais famosos da Idade Média. Tanto seus feitos em batalhas, em piratarias quanto nas expedições pelo mundo, colaboraram para fazer a sua fama até nossos dias. Mas em especial uma parte de seu legado permanece muito ativa tanto no imaginário como na cultura de massa: as narrativas envolvendo seus deuses e sua mitologia. Apesar desta permanência, os aspectos relacionados com as práticas de cultos, as crenças cotidianas, a fé em geral, a magia, entre outros, ainda são muito pouco conhecidas pelo grande público. Esse é o intuito principal deste trabalho, conceder algumas das principais idéias que a ciência possui sobre a religiosidade dos povos escandinavos durante a Era Viking.

As fontes
Para se conhecer a religiosidade nórdica, os especialistas tradicionalmente recorrem a três principais tipos de fontes primárias: as literárias, as históricas e as arqueológicas. O corpus literário constitui-se principalmente em narrativas de origem oral preservadas na Islândia em nórdico antigo durante os séculos XII a XIV: as Eddas, de cunho mitológico, sendo a Edda Poética um conjunto de poemas anônimos e a Edda em Prosa, um manual de caráter prosaico, compilado por Snorri Sturlusson em 1220; os poemas escáldicos, realizados por poetas aristocráticos e de caráter individualizado; e finalmente, as Sagas, narrativas épicas de caráter histórico, lendário, alegórico ou nacionalista. As fontes históricas para o estudo da religiosidade são documentos feitos por autores escandinavos (como Saxo Gramaticus) ou não escandinavos (Adão de Bremen, Ibn Fadlan, al-Tartushi, entre outros) e foram escritas especialmente em latim, alemão e árabe. Já as fontes arqueológicas são de uso mais recente nas investigações, sendo basicamente iconográficas: artefatos recuperados em escavações, a exemplo de amuletos, estatuetas, placas e pingentes; locais que serviram para práticas de cultos, enterros ou devoção; e os mais importantes, monumentos com inscrições rúnicas (o alfabeto pan-germânico), imagens e cenas da mitologia e religiosidade nórdica, sendo as mais conhecidas as estelas da ilha de Gotland.
Os Vikings foram um dos vários povos de origem germânica que povoaram a Europa, sendo o local de suas atividades as regiões da Suécia, Noruega, Dinamarca e a ilha da Islândia. Também houve regiões do Velho Mundo que receberam colonização ou influência dos Vikings, especialmente as ilhas britânicas, o norte francês e a Rússia. Algumas destas localidades também preservaram importantes resquícios para o estudo religioso. O período que estamos considerando é a clássica Era Viking, que se inicia no ano de 793 com o ataque ao mosteiro de Lindisfarne na Inglaterra, e termina no ano de 1.066, com a morte de Harald Hardrada e a invasão dos normandos, ambos na Inglaterra.
Sendo basicamente uma fé não-revelada, isto é, sem uma data histórica de origem – a exemplo do cristianismo, islamismo e budismo - o início da religiosidade Viking é desconhecido. Algumas de suas principais estruturas já existiam no período romano clássico, entre os povos da Germânia, mas muitos aspectos só foram introduzidos entre os séculos V e VI d.C., principalmente por influência da área finlandesa e báltica. O desenvolvimento das crenças escandinavas, desta maneira, se formou com base em um passado pan-germânico da Antiguidade, com estruturas próprias e com influências externas já no período medieval.

Filosofia e concepções de mundo
A exemplo de outras religiões não-reveladas e politeístas da Europa, a fé nórdica não possuía nenhum livro sagrado, nenhum dogma principal, nenhuma estrutura centralizadora de pensamento e coesão filosófica. Pelo contrário, cada região e período da Escandinávia conheceu crenças diferentes, com variações também a nível social. Não existiam conceitos absolutos de bem e mal. Deste modo, a religiosidade era muito mais baseada no culto do que no dogmático e metafísico, estruturada em atos, gestos e ritos significativos, girando em torno do sacrifício. O paganismo nórdico era de natureza tolerante, sem fanatismos nem adoração extremada e não existiu em total isolamento com a Europa cristã. Foi fruto de uma sociedade profundamente rural, realista e pragmática e que concedia privilégio a uma magia fatídica. Alguns mitos foram comuns a todo o mundo nórdico, mas também conheciam versões conforme a região. Isso era motivado principalmente pelo fato de que grande parte das narrativas sobre os homens e os deuses foram baseadas em uma tradição oral, que com o tempo sofria transformações de conteúdo e forma.
Os escandinavos possuíam mitos de origem e destino do universo e seus componentes. No início dos tempos teria existido um abismo chamado Ginnungagap. Próximo dele se estendiam duas regiões, uma gelada e nebulosa com o nome de Niflheimr, e outra clara e resplandescente, denominada Múspell. Quando o gelo de Niflheimr caiu no abismo e derreteu, formou um gigante, Ymir, e uma vaca, Auðumla, que lambeu o gelo salgado. Conforme ela lambia, surgiam seres antropomórficos: os deuses Óðinn (Odin), Vile e , que mataram o gigante Ymir. A partir deste cadáver, o trio formou toda a estrutura do universo conhecido, desde a abóbada celeste até os homens. A base do cosmos seria uma árvore, conhecida como Yggdrasill, que uniria os três níveis do universo (dos deuses, dos homens e os submundos) e os nove mundos: Hel, Niflheimr; Jötunheimr, Miðgarðr, Nidavellir, Svartalfheimr, Alfheim, Vanaheim e Ásgarðr.
Os nórdicos acreditavam também que no futuro as principais deidades seriam destruídas e o universo renovado: na batalha final da planície de Vígrid, durante o Ragnarök, onde deuses e monstros tombariam sem distinção. Odin seria morto pelo lobo Fenrir; o cão Garmr mata Týr; Þórr (Thor) vence a serpente (que antes lança veneno pelo mundo), mas morre em seguida pela sua mordida; Viðarr matará Fenrir; Surtr colocará fogo no mundo e matará Freyr; Heimdallr tombará vítima de Loki. Em seguida, um novo mundo é criado, com a sobrevivência de alguns deuses (como os filhos de Thor) e o ressurgimento de Balder. Neste caso, é possível que o próprio pensamento pagão tenha sido influenciado pelas narrativas bíblicas do apocalipse, durante o período de transição do paganismo para o cristianismo, segundo várias pesquisas.

A vida após a morte
Basicamente as concepções de vida após a morte são divididas em torno de dois grandes espaços: os que morrem em batalhas, indo para o palácio do Valholl juntar-se às valquírias e ao deus Odin; e de outro lado, os que morrem de doenças, velhice ou acidentes e vão para os subterrâneos do reino de Hel. Também existem algumas variações: algumas fontes relatam que as mulheres virgens iriam para o palácio de Gefyon, em outras que elas dirigiam-se para o de Freyja. Escravos e fazendeiros seriam destinados ao reino de Thor.
A maior parte das fontes que sobreviveram dão destaque à mais pequena parte da sociedade, a aristocracia e realeza. Abundam estelas funerárias representando imagens de guerreiros mortos sendo recebidos no Valholl, além de símbolos religiosos relacionados ao culto do deus Odin. As pesquisas demonstram que os dois maiores tipos de enterros do período, cremação e inumação, estiveram relacionados aos cultos. Enquanto a queima estava atrelada a fé odínica, os enterros de corpos e objetos tinham um caráter mais ligado aos fazendeiros, ao deus Thor ou aos vanes, como Freyr.
A noção do “nada” não existia entre os Vikings, sendo totalmente estrangeira. A morte não era jamais um termo absoluto nem mesmo uma ruptura radical, era considerada uma simples mudança de estado. Morrer era simplesmente passar à esfera dos ancestrais, com o saber e poder tutelar. Pode-se também retornar a vida sob outra forma como a reencarnação, que era limitada ao clã. Perpetuar um nome era necessariamente ressuscitar um ancestral, relacionado ao óðal, o patrimônio indivisível que se transmite de geração para geração.
Não ocorria uma demarcação clara entre vivos e mortos. A circulação de um domínio e outro não era jamais interrompida – os mortos freqüentemente vinham informar aos vivos sob a forma de aparições, revelações, sonhos, signos e símbolos. A mentalidade germânica não possuía uma consciência clara e objetiva de outro mundo: é o cristianismo que o introduziu. Se analisarmos as fontes literárias, não teremos somente um e sim vários mundos intercalados.

Os rituais e práticas
A família era o centro da comunidade, estreitamente relacionada com a fertilidade-fecundidade, em uma sociedade totalmente rural, de paz e prosperidade. Os principais cultos eram relacionados aos ciclos sazonais ou situações de crise: batismos, funerais, sagrações de terras e templos, juramentos. A religiosidade Viking reduzia-se a gestos significativos, com uma segunda intenção muito utilitária que respondia ao “dou para que me dês”, a costumes e práticas imediatamente realizáveis, ou seja, era um sistema de fé extremamente empirista. O escandinavo escolhia um protetor, com quem mantinha relações de tipo muito pouco comum, o chamava de seu amigo querido e até levava um amuleto com sua imagem. O nórdico mantinha vínculos de tipo pessoal e utilitário com o deus ou deuses que havia decidido reverenciar, uma espécie de contrato. Fora das grandes celebrações, o Viking não manejava um conjunto de concepções de tipo muito abstrato com respeito ao divino. Este homem pragmático, realista, não praticava a oração, a meditação, nem a mística. Quando necessitava, ele invocava o seu deus particular sob a forma de petição e não de reza, oferecendo alguma coisa em troca.
Esta religião, como em certas sociedades fundadas inteiramente sobre a noção de família, reservava certas funções do tipo religioso ao principal representante do clã. Era a família que executava as obrigações dos cultos, e como entre os antigos germanos, as formas ritualísticas eram antes privadas do que públicas. O chefe de família era o executante de todos os grandes rituais sazonais ditados por um evento (casamentos, nascimentos, funerais, cerimônias do aettleiðing – introdução de um novo herdeiro em uma família), ou um sacerdote em caso de sacrifícios.
No plano ritual, a especialização familiar do culto se fazia conhecer igualmente pelo öndvegi, o assento sagrado reservado ao chefe da família, o signo das prerrogativas religiosas. A família também era o fundamento do direito, ela era a garantia da paz e sua dissolução considerada uma blasfêmia e um sacrilégio. A relação entre religião e direito foi muito antiga entre os germanos, como podemos perceber no mito de Týr. Os procedimentos jurídicos eram conectados com a religião, e a justiça e a lei deveriam ser reproduções da fala dos deuses. Juramentos eram regulamentados pelo paganismo e considerados muito sagrados, geralmente solenizados em áreas sagradas e grandes assembléias (things), tendo as divindades ases como testemunhas.
Os valores de fertilidade e fecundidade predominavam nas sociedades germânicas. Era um mundo concebido sobre a fórmula anos fecundos e paz. Os bons reis e chefes de famílias eram os que assumiam a função dos grandes ancestrais, fertilizando simbolicamente a terra e trazendo a paz coletiva. Na Saga de Viga-Glúmr, o zelador do deus e de sua devoção preferia ter objetos intermediários de adoração, que personalizavam o deus Odin. A manutenção da sacralidade pública requeria um investimento de tempo e poder, e sua dessacralização clamava por uma imediata e decisiva retribuição.
Os festivais religiosos tinham conexão com eventos astronômicos importantes, como equinócios e solstícios. A Ynglinga Saga de Snorri menciona as três principais festividades religiosas, a do começo do inverno (festejada com sacrifícios humanos), a do solstício de verão (para crescimento da lavoura), e as do meio do verão, para a vitória.

O sacerdócio
Os sacerdotes nórdicos não constituíam uma ordem separada da população comum, e a diferença entre laico e sagrado era inexistente. Não existia sacerdócio profissional e a responsabilidade cabia ao rei ou chefe local. Para a maioria dos especialistas, jamais teria existido uma “casta” de sacerdotes ou servidores encarregados do sagrado, não se conheciam ritos de iniciação ou cerimônias de formação de sacerdotes entre os Vikings, a exemplo do que ocorria entre os druidas Celtas.
Mulheres também participavam da condução de sacrifícios e de outros ritos para adoração dos ases, e no caso da Islândia praticavam a profecia. A sacerdotisa possuía um sinal desta função – um colar que a Arqueologia oferece alguns exemplares, como o de Alleberg (Suécia, séc. VI), onde figura uma personagem que representa uma sacerdotisa. Mas também não podemos afirmar que existia um corpus constituído de sacerdotisas profissionais. As mulheres aparecem muito mais nos rituais da casa e da família do que nos ritos públicos.
Na Islândia, os chefes de família tornaram-se os executantes dos ritos do blót ou sacrifício semi-divinatório e semi-propiciatório (século IX e início do X). Um certo número de pessoas importantes possuía o título de goði – esta noção evoluíra em seguida, para o caso islandês, em um sentido político e jurídico. Também em muitos distritos islandeses, esses sacerdotes serviam como mantenedores da ordem e negociadores de disputas legais, advocacias, diplomacias e força. Como não existiam reis nesta região, eles serviram como uma espécie de líderes locais circunstanciais, mas mesmo assim nunca formaram uma classe social definida. Para tornar-se goði, o fazendeiro não passava por nenhuma investidura formal, não havia juramento da função, nenhuma promessa ante uma divindade, apenas era responsável pelas mínimas diretrizes definidas pela lei e pela pressão da opinião pública. A política oficial da comunidade garantia ao líder uma autoridade formal.

Os templos
Locais sagrados e de culto (bosques, fontes, poços, locais altos, montanhas) são mencionados nas fontes, mas sem muitas descrições pormenorizadas. Na realidade não existem indícios de templos especializados, ou seja, construções edificadas originalmente para espaços religiosos. O chefe Throrolf Mostrarskegg, em seu templo de Thor na ilha Moster, edificou uma plataforma com uma estátua da mesma divindade. A porta de entrada situava-se na lateral do templo, ladeada por colunas sagradas, com uma plataforma e altar em seu interior. Muitas edificações religiosas foram descritas como portando grandes anéis e correntes em suas portas, a exemplo de Uppsala e dos templos da Noruega. No Livro da colonização, um poeta afirmou que uma sala comum da fazenda foi momentaneamente convertida em templo para a celebração de sacrifícios ou cerimônias familiares. Muitos acreditam que estas descrições de templos, na realidade, foram influenciadas pelo referencial cristão no momento em que foram compiladas.
Uma religiosidade profundamente inserida na paisagem natural - desde os primórdios essa relação com a natureza foi típica da sociedade nórdica. A própria idéia da árvore cósmica, Yggdrasill, mostra-nos como um elemento do campo podia tornar-se preponderante na visão de mundo. Florestas, cachoeiras, colinas, pedras, bosques e árvores possuíam forte atratividade para os escandinavos, além de remotas representações rupestres de astros como o Sol e a Lua. Estes são os terrenos dos espíritos tutelares das regiões naturais. Contudo, também as regiões selvagens abrigam os espíritos dos humanos mortos, muitas vezes montanhas foram consideradas sagradas, mas de maneira geral, os falecidos eram enterrados próximos às famílias, pois a essência do paganismo nórdico era o culto aos ancestrais. A comunidade familiar e o parentesco eram o único suporte e base da religião pagã, essencialmente rural e sem centralização.

A magia entre os nórdicos
Um tema característico da religiosidade germano-nórdica é a recorrência da magia, especialmente de uma magia fatídica, porque suas funções, muito mais que defensivas ou ofensivas, são antes de tudo divinatórias e sacrificiais. Segundo Régis Boyer, a noção de duplo preside esta concepção de homem, de vida e de mundo. A entidade humana viveria em permanente simbiose com as potências, com os saberes, com a presença dos ancestrais. Um homem não existiria por ele mesmo, mas pela participação que ele assume com uma ordem superior. Deste modo, a magia é o sentimento da presença constante do sobrenatural, presidindo a todas as manifestações da existência.
A magia era de caráter muito mais divinatório do que conjuratório ou propiciatório Em vários aspectos, a religiosidade era de características xamânicas, sendo assim, a magia escandinava foi a arte de fornecer o poder que assombra e interfere em nosso mundo e, portanto, nada espanta ver os deuses vanes praticando a arte mágica na mitologia. Geralmente os especialistas em magia eram pessoas à margem da sociedade: o xamã, o guerreiro berserker, as praticantes de seiðr, todos representam figuras marginais, associados com poderes sagrados, existindo como parias. Algumas pesquisas consideram uma relação direta entre práticas de feitiçaria nórdica e a recorrência às intrigas. Os boatos seriam a única forma de poder para vagabundos, andarilhos, trabalhadores pobres e mulheres, ou seja, seriam formas de resistência cultural. A consulta para adivinhações, por exemplo, freqüentemente usadas em disputas, era um caminho para a difusão de “fofocas”. Outro vínculo é entre feitiçaria e micro-política das comunidades escandinavas, como resultado de conflitos, punições, reestruturações familiares, rupturas nos relacionamentos sexuais e na instabilidade na vida feminina.
Um tipo específico de magia era o galldr, constituído basicamente de palavras para curas, cuja performance envolveria uma voz estridente e aguda. O deus Odin foi chamado de mestre do galdr. Mas a prática mágica mais utilizada durante a Escandinávia Viking foi o seiðr (“canto”), que em muitos casos, foi descrito como feitiçaria realizada para “ferver” certos objetos imputados de poderes mágicos, sendo utilizado como um rito adivinhatório ou para assassinato, ou ainda, relacionado a três ações básicas: prever o futuro, aprisionar, causar doenças e desgraças ou matar. Era um tipo de magia extática e xamânica com transe, êxtase do celebrante e cantos da assembléia, geralmente realizada durante a noite e praticada sobre uma plataforma chamada de assento para encantamento. Também compreendia fórmulas mágicas para chamar tempestades e todos os tipos de injúrias, metamorfoses e predição de eventos futuros. Criada na mitologia pela deusa Freyja, era praticada especialmente por mulheres. Como para o xamã, a praticante de seiðr deveria descer ao mundo dos mortos para relatar os ensinamentos que buscam os vivos e para efetuar certos malefícios. O seiðr respondia primariamente a situações de crise e requeria, neste contexto, uma clientela e a participação de uma assembléia. O ritual apelava para o auxílio de espíritos, informações divinatórias e o controle da mente.

Bibliografia:
BOYER, Régis. Yggdrasill: La religion des anciens scandinavies. Paris: Payot, 1981.
DAVIDSON, Hilda R. Ellis. The lost beliefs of Northern Europe. London: Routledge, 2001.
DUBOIS, Thomas. Nordic religions in the Viking Age. Philadelphia: Philadelphia Press, 1999.
LANGER, Johnni. Religião e magia entre os Vikings. Revista Brathair de Estudos Celtas e Germânicos 5 (2), 2005, pp. 55-82. www.brathair.com
TURVILLE-PETRIE, E. O. G. Myth and religion of the north: the religion of ancien Scandinavia. London: Weindelf and Nicolson, 1964.

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